sexta-feira, 11 de setembro de 2009

QUANDO RECEBI A NOTÍCIA DO TUMOR NO CÉREBRO (METÁSTASE DA MAMA)


No dia 15/11/08 eu peguei uma carona com meu sogro para ir ao Rio e fazer os exames de rotina e passar pela perícia do INSS, a viagem foi tranquila e agradável chegamos perto de 13h, o dia estava lindo no Rio.

No dia seguinte fui a consulta do meu oncologista, levei todos os exames que tinha feito em Lavras-MG e relatei a ele que estava tendo tonturas, como se estivesse de porre o tempo todo (sem eixo), pendia sempre para o lado direito, com mudanças de humor muito rápido (eu estava achando que era bipolar, eu quase machuquei seriamente minha filha mais nova por conta disso), dificuldade de memorização (e olha que eu era boa nisso), me tornei repetitiva, esquecia das coisas numa velocidade espantosa, dificuldade na visão, via ponto luminosos na vista, um pouco de dor de cabeça. Quantas e quantas vezes eu estava na rua com os três e não mais que de repente eu 'saia do eixo' e pendia pro lado direito e ia parar na parede ou então esbarrava em alguém...pedia desculpas e dizia que não estava de porre, assim a pessoa ria e eu também. O meu oncologista pediu mais dois exames para completar, ressonância magnética do crânio e cintilografia óssea, em carater de urgência e remarcou a consulta para a outra semana.

Fiz os exames e os levei para o meu médico, ele viu primeiro a ressonância magnética e depois a cintilografia óssea (que vê somente a parte óssea), ele sentou e me disse que a luta continuava 'perdemos uma batalha e não a guerra', eu tinha um tumor no cérebro de quase 3 cm do lado direito. Eu tinha ido sozinha na consulta e quando ele deu a notícia e mostrou na ressonância onde estava localizado a minha mais nova 'bolinha' (eu me lembrei de imediato da personagem de gibi a Brotoeja, ela era louca por bolas), mas não aliviou a senssação de ter levado um soco na boca do estômago. Não consegui conter o choro, ele me disse 'voce não está sozinha, nós estamos nisso juntos e vamos ganhar essa guerra'. Saí de lá caminhando e não conseguia conter o choro, era compulsivo...eu tinha vontade de gritar, berrar, dar uma de louca desvairada. Quando cheguei a casa de minha irmã, meu cunhado Beto estava no sofá e me viu naquele estado, e eu disse que estava com um tumor no cérebro e que teria que consultar no dia seguinte a noite um neurogirurgião para marcar a cirurgia o mais rápido possível. Ele ficou branco, sem ação, ficou parado olhando pro nada e eu fui pro quarto chorar tudo o que podia, para ter forças de contar mais essa para a familia e os amigos. Minha irmã Ruth chegou um pouco depois e eu estava rezando o meu terço, pedindo forças, pedindo uma luz, pedindo colo, simplesmente pedindo....

Falei com Marcelo (meu marido) e ele disse que viria com a Marina e deixaria a Carolina porque estava em semana de prova final, pedi a ele para não falar nada com ela, quem tinha que falar era eu! Eu queria poupá-la por causa das provas, liguei para o colégio e falei com a coordenadora, expliquei a situação e pedi apoio a ela, enfatizei que ela não estava sabendo do meu novo problema.

Fui ao neurocirurgião e ele explicou a mim e ao Marcelo onde estava localizado e como se daria a cirurgia, eu disse a ele que só faria a cirurgia quando a Carolina estivesse comigo no Rio e seria somente para depois do dia 15/12 /08 (término das aulas), antes disso eu não faria, assumiria todos os riscos!
Eu e Marcelo fomos pegar a Carolina no dia 15/12, quando chegamos ela estava descendo para passear com a Pix (cocker spaniel inglesa que temos), ela me olhou e perguntou onde estava a irmã. Eu respondi que passaríamos as festas de fim de ano no Rio, depois que ela subiu, pedi para conversar e expliquei tudo, mais uma vez nos abraçamos, só que dessa vez ficamos quietas até ela se acalmar. No sábado teria o show da Madonna e eu queria ir com ela, mas infelizmente não foi possível, voltamos no domingo.
A cirurgia foi no dia 22/12/08 e eu tive alta na véspera do Natal, pude passar a ceia com a minha familia. PUDE COMEMORAR MAIS UMA VITÓRIA!

Recebi um presente e um cartão das minhas filhas que diz o seguinte:

24.12.2008
Querida Deborah,
Estamos muito contentes pela sua vitória (mais uma para a sua coleção). É muito gratificante ter um exemplo desses em casa e na familia. Afinal, isso é a força do Natal, o pensamento positivo de duas familias unidas (Fagundes e Gonçalves). Nós (eu e Marina) temos muito orgulho de sermos suas filhas.
Que você continue sendo uma pessoa incrível!
Esse presente é de todos nós aqui de casa, foi "trazido" por alguém especial e que precisa desse dinheiro. Como você ama ajudar as pessoas, não pensei duas vezes na hora de dar a você!
Beijos,
Carolina, Marina e Nieta.

O que quero falar é que NÃO PODEMOS PERDER A ESPERANÇA NUNCA, SEMPRE EXISTE UMA SOLUÇÃO! MEDO DO QUE NÃO CONHECEMOS, TODOS SEM EXCESSÃO TEMOS, MAS ACIMA DE TUDO, TEMOS QUE ACREDITAR EM DEUS, E EM NÓS MESMOS! SOMOS CAPAZES DE SUPERAR TUDO, BASTA ACREDITARMOS!

E EU ACREDITO QUE VOU FICAR CURADA!

Beijos,
Deborah

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